sábado, 25 de agosto de 2012

caçadores furtivos!


Dia de ir ambora de Matamanene e voltar a Kalabo. Desta vez acordamos sem pressas, apesar disso às 7:00 já estava acordado, é o hábito. De manhã não havia muito a fazer, preparar as malas, colocar água nas leoas, uma reparação rápida na vedação e era isso.

Concluidas as tarefas estavamos no caminho de regresso ao campo, quando uma emergência! Pelo sistema de rádio do carro (tipo rádio taxis aqui do sítio) a notícia de que na zona norte do parque foi encontrado um grupo de cerca de 20 caçadores furtivos, os rangers só conseguiram apanhar dois deles, cada um com uma espingarda e precisavam de transporte para Kalabo.

Nisto o Craig e o Roger entram no carro e lá vão eles ao encontro dos rangers e dos caçadores furtivos. 4 horas depois heis que chegam ao campo: no carro, o Craig, dois Rangers e dois caçadores, na bagagem do jipe, pedaços e pedaços de carne, na patrte de cima do jipe preso com cordas, cabeças de gnus, patas, pele, o carro escorria sangue... e o cheiro não era dos melhores.
Como o Craig precisava de trazer o avião de volta a Kalabo, quem é que tinha que levar o jipe para Kalabo? Aqui o Arturzinho, ah pois!

Eu enfiado num carro a tresandar a morte e a pingar sangue, com dois rangers e dois trolhas algemados, por baixo dos meus pés duas espingardas, os rangers cada um com a sua AK-47 às costas... parecia um filme! A diferença é que desta vez não estava a assistir, estava a participar.
Após duas horas de viagem, lá chegámos nós a Kalabo... uff... que saga!

companheiro de quarto em Matamanene
(não se queixou do meu ressonar, ao que parece tínhamos  horários completamente diferentes, e fazia o favor de caçar alguns mosquitos enquanto eu dormia)

sexta-feira, 24 de agosto de 2012


A semana está mesmo a acabar. Hoje é o último dia e a maior parte da malta já se foi embora. Ontém de manhã o John e hoje por valta das 11h foi o resto, aqui no campo só fiquei eu, o Craig, o Hegle e a malta das filmagens.
Ontém estava tão roto que nem tive energia para escrever... foi jantar e enfiar-me na cama.
O dia de ontém, para não variar, começou às 6:00. Arrancámos para a vedação dos búfalos, era necessário vacinar e desparasitar os 36 búfalos que faltavam.

bufalo e moi man

36 búfalos, um dardo a cada um,  7 injecções por animal, desparasitante, fotografias, spray nas feridas, testes de gravidez... foi uma longa manhã que só terminou perto das 14:00. As minhas tarefas variaram entre apontar todos os dados, encher seringas, segurar os cornos de alguns, colocar spray nas feridas.
Após o almoço, mais hienas! Mais duas coileiras mudadas, mais amostras de sangue, mais medições, mais fotografias. Gosto bem mais de hienas do que antes! Curiosamente são mais bonitos, civilizados e “limpinhos” do que parecem na televisão. Entretanto ficou de noite e foi um castigo para encontrar o caminho de volta ao campo, mas valeu a pena porque no caminho cruzámo-nos com porcos-espinhos!

preguiça ao sol

chita!

Hoje o dia começou com mais uma busca à hiena, no caminho de volta encontrámos uma chita.
As refeições, agora que a mulher do Craig já não está presente são bem mais simples, ao almoço umas tostas, queijo, fiambre, amendoins, atum, cerveja e no final fiz um café forte. Estava mesmo a precisar.
Agora estamos à espera que fique mais fresco, o resto do dia vai ter como tarefas, continuar o fogo iniciado na 2ª feira e observar as leoas na vedação. 
tudo calmo na vedação das leoas



quarta-feira, 22 de agosto de 2012


Hoje estou muito cansado para escrever o que quer que seja... na verdade o dia nem foi muito cansativo, mas isto de acrodar consecutivamente ás 5:30 vai moendo.

Resumo do dia:
  1. captura de um gnu para alimentar as leoas
  2. observação (quase a dormir) das leoas com a malta do documentário
  3. substituição da coleira numa hiena
  4. assistência veterinária para duas “bufalas” pequenas
  5. jantar que nem um porco
  6. sono, muito...
  7. dormir!
a ajustar uma coleira numa hiena


A equipa:
  • Eu
  • Craig e Raquel – African Parks
  • Herbert e Brad – tipos do documentário (sequela do documentário “The last lioness”)
  • Hegle – holandês do Zambian Carnivore Program
  • John – Neozelandês piloto do helicóptero
  • Ian – veterinário e o tipo dos dardos
  • Ross e Lin – neozelandeses amigos do John que aproveitaram para tirar uma férias (o sotaque neozelandês é mesmo marado! Não percebo patavina do que o Lin diz... sorrio e digo que sim... ao que parece ele também é meio surdo e também lhe escapam metade das coisas que eu digo.)
  • Catelyn e Dylan – mulher e filho do Craig
Craig, Ross, Hegle, eu, Dylan e Catelyn


terça-feira, 21 de agosto de 2012


Para variar o dia começou ás 6 da manhã. Desta vez com um pequeno almoço reforçado: muffins, cereais, iogurte, leite, chá, café... aproveitei para encher a barriga: 3 muffins no bucho, duas chavenas de café com leite e ainda tive tempo e espaço para uns biscoitos.
Após o pequeno almoço lá fomos nós para a grande saga: colocar a Lady Liuwa na vedação juntamente com a leoa mais nova que já lá está.
Lady Liuwa

Objectivo: fazer com que elas se dêm bem (esperamos nós) para serem libertadas dentro de 6 semanas, de forma a que fiquem juntas, que os machos as encontrem e que formam finalmente um grupo, uma família. Após longas horas de caminho, lá a encontrámos, conseguiu-se mudar-lhe a coleira e com muito cuidado colocá-la na pick-up e lá fomos nós para a vedação, sempre muito atentos à respiração e preocupados com os solavancos do carro e possíveis vómitos. Tudo correu bem. Chegando à vedação foi necessário atordoar a outra, de forma a que acordassem ambas ao mesmo tempo para facilitar a adaptação e para lhe mudar a coleira.
operação Lady Liuwa - 1



Operação Lady Liuwa - 2
Passou-se algum tempo de observação e algum nervosismo, elas acordam, aproximam-se, cheiram-se, algumas escaramuças, nada de especial e ela que se faz tarde! Os elandes ainda vinham aí! Que animais lindos, que bestas!
operação elande
Para os elandes a aproximação teve que ser feita de helicóptero, para estes animais o tranquilizante funciona de forma diferente apesar de ser um cocktail específico, antes de caírem no chão ainda se fartam de correr e mesmo quando caem no chão, ainda ficam meio acordados, e que força! 

segunda-feira, 20 de agosto de 2012


Segunda feira, o dia começou cedo, às 6 da manhã já estava a arrancar com dois rangers para fazermos um fogo controlado de forma a impedir fogos acidentais de chegarem à vedação onde se encontra temporariamente uma leoa.
Na verdade não tive que fazer grande coisa: conduzir o pessoal para o local, acompanhá-los de carro enquanto o fogo prosseguia ao longo do caminho e por fim irmos até à vedação substituir as baterias da vedação eléctrificada, com muito sono à mistura, deu para assistir pela primeira vez ao nascer do sol em Liuwa Plain.
Nascer do sol em Liuwa Plain

Missão cumprida e aí fomos nos de volta ao campo “Matamanene Bush Camp”. Após mais um café e alguns “rusks” (biscoitos sul-africanos) o Craig tem de ir à vedação da leoa fazer umas reparações “Artur, queres vir?”, “claro que sim! Vamos a isso”, e lá fomos nós os dois com o Roger (um dos rangers). A terefa não parecia difícil, o problema é que as reparações tinham que ser feitas do lado de dentro (!!!), resultado, lá fomos nós os três para dentro da vedação onde se encontrava uma leoa selvagem! Sempre com o carro por perto não fosse o diabo tecê-las, ficámos por lá cerca de 3 horas e meia, com a leoa sempre a observar-nos com toda a atenção, ficava sempre a 15/20 metros de nós. Andávamos uns metros e lá ia ela mais uns metros na nossa direcção, após uns minutos deitava-se e lá ficava ela mantendo-nos sempre debaixo de olho.  Nunca pensei!
com a leoa debaixo de olho
Após umas sandes e muita água, lá fomos nós á procura de um dos machos para substituir a coleira. A viagem ainda foi longa, com o cansaço não resisti a mandar umas cabeçadas no caminho, o sono pesava, entretanto “olha, ali estão eles”, à minha frente dois leões machos adultos por entre as árvores no meio da planície africana.
O Ian (veterinário de serviço) preparou o cocktail, atirou um dardo e puff, lá estava ele caído no chão a dormir que nem uma pedra. Tiraram-se as medidas, mudou-se a coleira e recolheu-se uma amostra de sangue, muitas fotografias depois e lá se deu outro cocktail, desta vez para o bicho acordar. No caminho de volta ao campo decido ir na caixa de uma das pick-ups. Que por do sol vrutal! Que paisagem! Manadas e manadas de gnus, grupos enormes de zebras!
em busca dos leões
eu e a besta


Chegando ao campo só deu tempo de tomar um duche quente, beber duas cervejas com a malta à fogueira e comer um jantar fenomenal. O sono aperta apesar de ainda serem 22h, amanhã é novo dia. 

pôr do sol em Liuwa Plain